Se o mundo é ruim, Rihanna é pior ainda…

Uma grande colaboração de Thiago Soares para o ByBracho

O estilo “sem estilo” da cantora que saiu de uma ilha do Caribe para conquistar nosso gosto duvidoso

Thiago Soares

Tem dia que Rihanna acorda, se olha no espelho e promete usar uma roupinha bege, daquelas que a fariam passar despercebida. Mas, mira de soslaio o espelho, tigresa, e lembra da infância em Barbados, ilhota no meio do Caribe perdido, da vinda aos Estados Unidos, daquela fatídica noite em que o então namorado a estapeou. Rihanna ainda tem sono, mas não boceja: ruge. E o cabelo que era para pentear, ela despenteia. A roupa que era para ser em tons pastéis, ela torna vermelha, neon, flúor. E acordar, para ela, passa a ser entrar em cena.

Olha ela fazendo CARÃO


A cantora Rihanna não é um ícone da moda fácil como Madonna, Gwen Stefani ou Lady Gaga. Ela não está assim tão associada ao “mundinho da moda” porque, convenhamos, muitas vezes, é taxada de ser um tanto over, “piriguete” até. Suas roupas – apesar de num tapete vermelho aqui outro acolá – são a interseção de duas geografias: o Caribe e a periferia dos Estados Unidos. E como a hegemonia sempre olha para o contra-hegemônico com uma pontinha de inveja, pode anotar: é Rihanna quem “ dá as cartas” do mundo asséptico e higiênico da cultura pop. Sem as certezas de uma Madonna ou o exagero vitimizante de Gaga.

Quase normal


Na verdade, a colombiana Shakira poderia estar dando muito mais as cartas que Rihanna no mundo da moda – tem mais “poder de fogo”, é mais localizada geograficamente, tem até mais relevância musical. Mas, Shakira usa pouca roupa para ser ícone de estilo, não? Daí, nas brechas, chegamos nela: a moda de Rihanna não existiria sem a sua stylist. Mariel Haenn, diretora de imagem e moda da MTV americana na virada dos anos 2000, foi a responsável pela migração de uma imagem, digamos, étnica para algo mais visivelmente arrojado e futurista. Tendo trabalhado com artistas do hip hop, como Ciara, Jay-Z e Keri Hilson, Mariel Haenn sabia que trabalhar a imagem de Rihanna seria dialogar dois extremos: limpeza e sujeira; periferia e centro; etnia e globalização. As músicas e os álbuns nos ajudam a enxergar as transformações.

OMBROS!


Rihanna tinha lançado um disco, “Music of the Sun” (“Música do Sol”) e era praticamente uma cantora de forte tracejado reggaeiro. Bronzeada, cabelos longos, shortinho, barriga de fora. É possível mudar? Não naquela hora. Veio então o CD “A Girl Like Me”, com uma canção que até hoje ecoa mundo afora por causa da colagem nervosa do sampler de “Tainted Love”, do oitentista Soft Cell: “S.O.S.”. Rihanna ainda tinha “cabelão” e era bronzeada. Só que, agora, já saía à noite.
Foi com o tsunami “Umbrella” que Mariel Haenn entrou em cena: clipe futurista, cabelos em estilo “chanel”, saias curtas, muito curtas e cinturas altas, muito altas. Valoriza-se as pernas de Rihanna. E sua cintura. Rihanna foi se distanciando de suas raízes caribenhas. Transformando-se, cada vez mais, numa Grace Jones com toques mais curvilíneos. Uma espécie de Graces Jones “piriguete”. Obviamente, não cobrem classe a Rihanna. O melhor dela está no “piriguetismo”.

Não à toa, um fã de voz fanhosa disseminou no You Tube a máxima: “eu atóron o perigo dela”. O bom da Rihanna é o perigo – e a rima infame com o piriguetismo (mesma matriz semântica).

Moicano

E vieram ombros, muitos ombros. Geométricos, tais quais Grace Jones. E aí o corte de cabelo: primeiro Rihanna brinca com as franjas. Depois, radicaliza: antes do moicano virar hit, ela cortou seu cabelo tal qual uma guerreira nativa defendendo seu país, Barbados, do colonizador. Tudo isso vai sendo documentado em clipes: “Disturbia”, “Russian Roulette”, “Mad House”. Rihanna vai sendo a rockstar às avessas: um simulacro de estrela do rock que não canta rock, mas tem uma música cujo título é “Rockstar 101”. Por que “101”? Aliás, por que Rihanna mesmo?
Aí quando a gente estava se acostumando que Rihanna ia ser moldada à fantasia da estrela de rock rebelde e com o topete combinado ao moicano, eis que ela surge ruiva. Sim, com aquele tom de tintura vermelha igual ao palhaço Ronald, do Mc Donald’s. Em Rihanna, o vermelho-Ronald era também vermelho-sangue. E que tal aquela franjona vermelha no clipe “Love The Way You Lie”, ao lado de Eminem? Over? Sim, Rihanna.
Já de cabelos compridos, mas ainda gritantemente ruivos, Rihanna canta sobre ser “a única garota do mundo”. As roupas, outrora rockstar, são agora floridas, leves, com muitas rosas. Depois da tempestade vem a primavera. Depois do “voduzado” CD “Rated R” veio o solar álbum “Loud”. Uma flor nasce em meio ao asfalto quente e rachado.

Aqui você vai e lê os dez passos da Rihanna


Os dez mandamentos do estilo Rihanna
1. Nunca tenha medo de estar parecendo “piriguete demais”. Piriguetismo é uma arte. Use a seu favor.

2. Valorize as pernas se você tem pernas. Valorize a cintura se você tem cintura. Mas, sempre – sempre! – valorize os ombros.

3. Brinque com o seu cabelo: longo, curto, preto, ruivo, loiro, liso, cacheado. E lembre-se: quando tudo der errado (na vida ou na arte), aposte no moicano.

4. Tá se achando feia? Por que não ficar mais feia e “causar”? Descombine tudo, dê uma “pirada”. Depois volte a usar roupinhas em tons impessoais…

5. Boca é para ser beijada – e valorizada. Batom vermelhão, por favor.

6. Argolas, argolas, argolas!

7. Apanhou (fisicamente ou simbolicamente) de alguém? Refugie-se no estilo rock. Ouça música alta, muito preto nas roupas. Cure o luto na moda.

8. Franja esconde cicatrizes, testa avantajada e olhos roxos. Lembre-se.

9. Não tenha medo de virar onça, zebra: que tal enlouquecer e combinar estampas de oncinha com florais?

10. Inspire-se no estilo de Grace Jones. Sempre.

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4 comentários sobre “Se o mundo é ruim, Rihanna é pior ainda…

    • Sinto que você tenha ficado tão ofendida, mas prestando bem atenção na matéria vai perceber que é na verdade uma homenagem a cantora, que se veste bemmm mal, mas tem atitude.

  1. aaa esqueci de comentar algo..
    vc citou a Lady gaga como um exemplo na moda ou foi impressão minha?? provavelmente eu devo ter feito uma interpretação equivocada sobre a sua matéria, pq vários estilistas já se recusaram a trabalhar para a gaga, o Alexander Wang (a marca q a Rihanna mais usa) foi a penas um dele………
    kkkk

    bjs!

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